Quércia diz que acordo entre PT e PMDB não passa em convenção
Publicada em 22/10/2009 às 00h02m
ReutersGerson Camarotti e Ricardo Galhardo – O GloboSÃO PAULO e BRASÍLIA – Aliado do governador José Serra (PSDB-SP), o presidente do PMDB-SP, Orestes Quércia, desafiou o pré-acordo firmado entre seu partido e o PT para as eleições de 2010 . Ele disse nesta quarta-feira que o pacto não será chancelado pela convenção do PMDB no ano que vem. O acordo foi oficializado em nota divulgada nesta quarta.
- Não foi o PMDB, foi um grupo dentro do PMDB que tomou a decisão do acordo – disse Quércia, indicando o presidente da legenda, deputado Michel Temer (SP), o presidente do Senado, José Sarney (AP), e o senador Renan Calheiros (AL).
” Não foi o PMDB, foi um grupo dentro do PMDB que tomou a decisão do acordo “
O ex-governador paulista acusou as lideranças de seu partido de anunciarem o fechamento da união como forma de pressionar os diretórios estaduais.
- Fugiram do diálogo. Eles não vão conseguir passar na convenção porque não terão maioria – afirmou.
As convenções dos partidos, que definem as candidaturas e as coligações, serão realizadas em junho do próximo ano para as eleições de outubro.
A posição do ex-governador, que defende o apoio do PMDB à provável candidatura de Serra, ainda é minoria na legenda. O próprio Quércia admite que, além do diretório de São Paulo, apenas Pernambuco e Santa Catarina estariam contra o acordo com o PT. Ele afirmou que vem conversando com peemedebistas de outros estados para atrair aliados à candidatura Serra.
Simon e Jarbas rejeitam aliança
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) chegou a dizer que o pacto não tem validade, já que a definição do partido só acontecerá na convenção. Para ele, essa precipitação foi motivada pela pressa do presidente Lula.
- Não acredito que esse acerto prospere. O tempo está contra eles. Está evidente o pragmatismo do PMDB, que levou o partido a participar desse jantar. Agora, atribuo essa pressa ao presidente Lula, que quer ganhar a eleição a todo custo.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) também criticou a aliança entre PT e PMDB. Mas ao contrário de Quércia, o parlamentar defende a candidatura própria do PMDB. Em nota, ele disse que as bases do partido em todo o país desejam a candidatura própria em 2010.
“As bases não foram consultadas e nos encontros estaduais realizados este ano, a expressiva maioria do partido optou pela candidatura própria em 2010″, declarou Simon, por meio de nota.
O peemedebista disse também que, apesar de ser maior partido do país, o PMDB tem servido de linha auxiliar dos governos.
“Esse grupo que comanda o PMDB nacional é o mesmo que estava com o governo de Fernando Henrique Cardoso, desabafou Simon, fundador do partido, para quem os dirigentes “não estão à altura da dignidade da base partidária.”
PT e PMDB anunciaram na terça-feira um pré-compromisso de apoio à candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff, em que caberá aos peemedebistas a indicação da vice na chapa. O PMDB também participará da formação do programa de governo da chapa.
Para o PSB, não muda nada na candidatura de Ciro
Para o PSB, a formalização da aliança do PT com PMDB não muda nada na candidatura presidencial do deputado Ciro Gomes (PSB). O líder do PSB, senador Renato Casagrande (ES), disse que o partido vai intensificar a candidatura de Ciro, para, em março, analisar o quadro eleitoral:
- Não tem nenhuma novidade (o acordo PT-PMDB). A estratégia do PSB é intensificar a candidatura do Ciro. Não temos força institucional para atrair alianças. Nossa única força é a viabilidade eleitoral da candidatura Ciro e é com isso que vamos contar.
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Diário de Iguape
Márcio França